As exportações brasileiras de carne bovina para os países árabes somaram US$ 1,79 bilhão em 2025, alta de 1,91% frente ao ano anterior, segundo a Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. O resultado marca o segundo recorde consecutivo de receitas com o bloco formado por 22 nações.
Egito e Arábia Saudita continuaram como principais destinos da proteína, com aumentos de 24,53% e 29,90%, respectivamente. A Argélia também ganhou destaque, intensificando compras desde 2024 e alcançando US$ 286,58 milhões em 2025, avanço de 40,56%.
Segundo o secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira, Mohamad Mourad, o desempenho reflete tanto o aumento da oferta brasileira quanto a estratégia dos países árabes de reforçar estoques de alimentos em meio à instabilidade global. “O Brasil foi beneficiado pela disponibilidade do produto e pela necessidade do bloco de se precaver contra riscos de desabastecimento. Mesmo com quedas em outras categorias, tivemos o segundo melhor ano da série histórica em exportações e superávit comercial”, afirmou Mourad.
Exportações para o bloco registram recuo geral
Apesar do bom desempenho da carne bovina, o total exportado pelo Brasil aos países árabes caiu 9,81% em 2025, para US$ 21,34 bilhões — após crescer 22% em 2024. A retração está relacionada à queda nos preços das commodities e aos impactos da gripe aviária no Rio Grande do Sul, que reduziu o volume de embarques de frango.
Os principais itens exportados foram açúcar (US$ 4,63 bilhões, -29,89%), carne de frango (US$ 3,34 bilhões, -6,40%), milho (US$ 3,07 bilhões, +24,94%) e minério de ferro (US$ 2,65 bilhões, -12,70%). Entre os parceiros, destacaram-se Emirados Árabes Unidos (US$ 3,78 bilhões), Egito (US$ 3,73 bilhões) e Arábia Saudita (US$ 3,13 bilhões).
Agronegócio mantém liderança nas exportações
O agronegócio respondeu por 72,5% das exportações ao bloco em 2025, totalizando US$ 15,91 bilhões, queda de 11,19% sobre 2024. Mesmo com os incentivos à produção local nos países árabes, a proteína brasileira manteve espaço no mercado regional.
A Arábia Saudita, por exemplo, aumentou em 15,14% as compras de frango brasileiro, para US$ 942,39 milhões, enquanto os Emirados Árabes Unidos mantiveram importações próximas a US$ 937 milhões, quase estáveis frente ao ano anterior.
Insumos para proteínas animais também ganham espaço
As vendas de gado vivo para abate cresceram 18,10%, somando US$ 695,09 milhões, e o milho destinado à criação de aves aumentou 24,93%, alcançando US$ 3,07 bilhões. Esses resultados reforçam a importância do Brasil como fornecedor estratégico de insumos e alimentos para a segurança alimentar árabe.
Mourad acredita que o comércio entre Brasil e países árabes deve se recuperar em 2026. No último trimestre de 2025, as exportações já mostraram reação, com alta de 8,2% frente ao mesmo período de 2024.
“O Ramadã, que começa em 17 de fevereiro, impulsionou o aumento dos embarques no fim de 2025. Esse movimento indica tanto a formação de estoques para o período sagrado como a normalização gradual do comércio após o tarifaço americano”, analisa o executivo. Com informações do site Agro em Campo.







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