Publicado em 22/02/2026 às 12:04, Atualizado em 22/02/2026 às 12:15

Polícia Civil confirma parte das acusações de propina da Aegea em MS

Os agentes mapearam ao menos R$ 4,5 milhões que saíram da empresa e foram parar em diversos destinos, como R$ 1,4 milhão para a campanha eleitoral do MDB nas eleições de 2012

Redação,
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Foto - reprodução UOL

prestadas por executivos da empresa de água e esgoto que confessaram pagar propinas para uma série de políticos em seis estados do país, como revelou o UOL.

Os agentes mapearam ao menos R$ 4,5 milhões que saíram da empresa e foram parar em diversos destinos, como R$ 1,4 milhão para a campanha eleitoral do MDB nas eleições de 2012, quando o partido tentou, por exemplo, manter o comando da Prefeitura de Campo Grande (MS).

Em depoimento prestado em março de 2020, Amadeo disse que foi procurado em 2011 pelo empreiteiro João Amorim, investigado posteriormente na Operação Lama Asfáltica.

Ele afirmou que, em 2011, Amorim o pressionou para fazer pagamentos de R$ 30 milhões ao grupo político do então prefeito, Nelsinho Trad (MDB). O objetivo era formar um caixa para a campanha do sucessor dele em 2012 e da campanha ao governo do estado em 2014

Em 2025, a Polícia Civil concluiu a investigação da Operação Lama Asfáltica, que havia sido iniciada pela Polícia Federal, e a enviou à Justiça para que o Ministério Público decida se oferece denúncia. O documento foi obtido pelo UOL.

Nele, os delegados do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) da Polícia Civil afirmam que Amorim realmente recebeu uma série de valores do grupo de empresas da Aegea sem prestação de serviço no mesmo período relatado por Amadeo, cinco anos antes.

O primeiro negócio foi uma venda de uma estação de tratamento de esgotos (ETE) em Dourados (MS) em 2012, mas que ninguém nunca viu.

A empresa Águas de Guariroba, pertencente à Aegea, comprou essa ETE por R$ 4,5 milhões. Acontece que ninguém sabe onde está esse sistema e nem qual a razão da compra já que a Aegea não atuava naquela cidade.

"Até o momento, não foi possível identificar a ETE, o local onde ela estaria, bem como se ela realmente existiu", afirmam os policiais que assinam o relatório final do inquérito que investiga desvio e lavagem de dinheiro.

Numa busca e apreensão feita pela PF, os agentes encontraram a minuta de uma nota da Aegea em que a empresa se preparava para responder onde ficava a estação. Mas o documento mostrava que essa pergunta foi suprimida porque respondê-la poderia "abrir outra frente de problemas", segundo transcreve o relatório da Polícia Civil.

Os valores foram pagos em setembro de 2012, às vésperas das eleições. O dinheiro caiu na conta de uma empresa de Amorim, a Proteco.

Uma parte significativa, R$ 1,4 milhão, foi destinada ao PMDB [hoje MDB] para as eleições de 2012.Relatório da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul

Outra parte caiu na conta de um funcionário, que realizou uma série de saques em espécie fracionados em parcelas de R$ 99 mil, mas que somaram R$ 1,18 milhão.

A conta pessoal de Amorim recebeu R$ 1,2 milhão, a partir de uma sequência de cheques de R$ 99 mil.

A apuração da Polícia Civil não esclarece se o dinheiro ao MDB entrou por caixa 2 e quais candidaturas beneficiou. Em 2012, Nelsinho Trad (então no MDB) deixou o comando da prefeitura de Campo Grande. Giroto (MDB) disputou e perdeu para Alcides Bernal (PP).

A reportagem achou um pagamento de R$ 770 mil da Equipav, uma das empresas do grupo da Aegea, ao diretório nacional do MDB em 20 de setembro de 2012, registrada na Justiça Eleitoral.

O UOL procurou o PMDB de Mato Grosso do Sul e o diretório nacional do partido. A pedido da reportagem, o presidente do MDB estadual, o ex-senador Waldemir Moka, buscou informações com ex-dirigentes do partido. Mas o ex-parlamentar afirmou que não tem conhecimento desses pagamentos.

"Não tenho nenhum conhecimento disso. Estou absolutamente tranquilo", disse Moka ao UOL por telefone.

Parte do conteúdo reproduzido do Portal UOL