Publicado em 11/02/2017 às 16:32, Atualizado em 11/02/2017 às 16:55

Donald Trump volta a atacar Judiciário e diz que sistema está 'quebrado'

O decreto assinado por Trump no último dia 27 proibia a entrada de refugiados de qualquer nacionalidade por 120 dias e de cidadãos desses sete países -que segundo ele, representam ameaça terrorista aos EUA- por 90 dias.

Redação,

O presidente Donald Trump voltou a atacar, na manhã deste sábado (11), o Judiciário, dizendo que o sistema legal do país está "quebrado" após a decisão de uma corte de apelação mantendo a suspensão ao seu decreto que veta a entrada de refugiados e cidadãos de sete países de maioria muçulmana.

"Nosso sistema legal está quebrado! '77% dos refugiados que tiveram a entrada permitida nos EUA desde a suspensão [do veto] a viagens vieram de sete países suspeitos' (WT) TAO PERIGOSO!", escreveu Trump, em referência a matéria do "Washington Times'.

A reportagem diz que 77% dos 1.100 refugiados que entraram no país desde a liminar concedida por um juiz federal de Seattle (no Estado de Washington), no último dia 3, até a última quinta-feira (9) são cidadãos de Síria, Iraque, Irã, Sudão e Somália -que junto com Líbia e Iêmen foram os países vetados por Trump em seu decreto.

A reportagem fez um levantamento junto ao Centro de Processamento de Refugiados, que trabalha com o governo americano, do número de refugiados que haviam chegado desde a liminar até a sexta (10): 1.462, de 21 países. Destes, 402 eram sírios e 340 iraquianos.

O decreto assinado por Trump no último dia 27 proibia a entrada de refugiados de qualquer nacionalidade por 120 dias e de cidadãos desses sete países -que segundo ele, representam ameaça terrorista aos EUA- por 90 dias.

Consultado, o Departamento de Segurança Doméstica não revelou quantos indivíduos desses sete países teriam chegado aos desde que a liminar entrou em vigor.

Antes do ataque de sábado, o presidente já havia dito que os tribunais do país são muito "políticos" e que a audiência realizada pelos três juízes da corte de apelação que manteve a suspensão foi "vergonhosa". No último domingo, disse que o juiz James Robart, responsável pela liminar, e o sistema judiciário deveriam ser culpados se "algo acontecesse" nos EUA.

O juiz indicado para a Suprema Corte, Neil Gorsuch, chegou a afirmar a um senador democrata na quinta-feira que os ataques recentes do presidente ao Judiciário eram "desmoralizantes" e "desanimadores".

A declaração foi confirmada por um assessor de Gorsuch, mas, no dia seguinte, Trump disse que o democrata Richard Blumenthal tirou a fala de contexto.

Fonte - Folhapress