Publicado em 18/01/2026 às 07:35, Atualizado em 17/01/2026 às 22:51

‘Deixa gosto amargo’, diz presidente do Paraguai sobre ausência de Lula em solenidade do Mercosul

Bloco assinou acordo histórico após mais de duas décadas de negociação com a União Europeia

Redação,
Cb image default
Autoridades assinam acordo histórico entre Mercosul e UE. Foto - reprodução

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, classificou a ausência do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia como um fator que “deixa um gosto amargo”.

A solenidade ocorreu neste sábado, 17 de janeiro de 2026, no Teatro “José A. Flores” do Banco Central do Paraguai, em Assunção. Conforme informações publicadas pelo jornal paraguaio ABC Color, o mandatário paraguaio posteriormente ajustou seu comentário afirmando que a falta do chefe de Estado brasileiro deixa, na verdade, “gosto agridoce”.

A cerimônia marcou o encerramento de um ciclo de mais de 25 anos de negociações entre os blocos econômicos. Apesar da ausência de Lula, que foi representado pelo Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, Peña enfatizou o papel do brasileiro na conclusão do tratado. Segundo o jornal ABC Color, o presidente paraguaio afirmou que Lula assistiria ao evento pela televisão.

Contexto diplomático

Durante o discurso de abertura, Santiago Peña buscou equilibrar o lamento pela falta de Lula com o reconhecimento de sua atuação política. O Paraguai ocupa atualmente a presidência pro tempore do Mercosul.

“Não podemos ignorar, e seria injusto não reconhecer, a liderança que o Presidente Lula demonstrou na condução das negociações. Ele foi uma força tremenda; posso afirmar que este acordo não teria sido assinado em Assunção se não fosse pelo trabalho e dedicação do Presidente Lula. Teríamos adorado que ele estivesse aqui, infelizmente não foi possível, mas isso de forma alguma diminui nossa gratidão por este grande momento”, declarou Peña.

O governo paraguaio justificou a ausência de Lula devido a conflitos de agenda decorrentes do período eleitoral no Brasil. Peña reforçou manter uma “ótima relação pessoal” com o presidente brasileiro, a quem chamou de “amigo pessoal”.

Impacto do acordo

A assinatura do tratado em Assunção foi descrita por Peña como uma “justiça poética”, uma vez que a capital paraguaia foi o local de fundação do Mercosul em 1991. O acordo une mercados que somam aproximadamente 800 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado superior a 25 trilhões de dólares.

Além de Mauro Vieira, estiveram presentes os presidentes Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai) e José Raúl Mulino (Panamá), além da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Perspectivas futuras

Com a formalização da parceria com a União Europeia, o governo paraguaio indicou que o bloco sul-americano deve buscar “novos horizontes” para integração comercial.

De acordo com o ABC Color, Peña citou interesses em negociações com Indonésia, Vietnã, Canadá, Japão, Coreia do Sul e os Emirados Árabes Unidos, mencionando ainda a China como um “parceiro estratégico”.