Publicado em 02/01/2026 às 06:30, Atualizado em 02/01/2026 às 08:12

Quando o Ano Novo Decide Ficar

Adriana Paioli,
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Divulgação

O Ano Novo não chega apenas em fogos e contagem regressiva. Ele chega, sobretudo, em silêncio. Chega sentando ao lado de quem sobreviveu a um ano difícil e pergunta, sem pressa: você ainda acredita?

Nem todos entram no novo ano com o coração leve. Há quem traga cicatrizes, perdas, cansaços antigos. Há quem esteja de pé apenas porque desistir exigiria mais força do que continuar. E ainda assim, o dia amanhece. A vida insiste.

O recomeço não acontece num estalar de dedos. Ele nasce pequeno: num suspiro mais fundo, numa oração tímida, num pensamento que diz talvez ainda dê. É assim que a fé trabalha — não como espetáculo, mas como sustentação.

Há uma alegria que não grita, mas permanece. Uma alegria que nasce da certeza de que, apesar de tudo, estamos aqui. Respirando. Sentindo. Tentando. Isso já é milagre.

O amor, nesse tempo, aprende a ser abrigo. Ele se revela nos encontros simples, nos pedidos de perdão, nos afetos reconstruídos. O carinho se transforma em linguagem de sobrevivência, lembrando que ninguém precisa atravessar tudo sozinho.

Seguir em frente não significa apagar o passado. Significa caminhar com ele sem permitir que ele dite o futuro. É compreender que Deus não desperdiça dor alguma — Ele transforma, lapida, fortalece.

O Ano Novo não promete ausência de tempestades, mas oferece um cais. Um lugar interno onde se pode descansar e reunir coragem. Ele ensina que desistir da vida nunca é opção, porque cada dia guarda a possibilidade de um novo sentido.

Para quem pensa que não aguenta mais: aguenta.

Para quem acha que já tentou tudo: ainda há caminhos.

Para quem perdeu a fé: ela pode ser reencontrada nos detalhes.

A vida é insistente. E quando há fé, mesmo pequena, ela encontra espaço para crescer. O amor se multiplica. A esperança reaprende a caminhar.

Que este novo ano seja vivido com mais presença do que pressa, mais verdade do que medo. Que ninguém desista de si. Que todos sigam, ainda que com passos lentos, mas com o coração firme.

Porque enquanto há vida, há possibilidade.

E enquanto há fé, sempre haverá recomeço.