Publicado em 29/01/2026 às 15:02, Atualizado em 29/01/2026 às 15:29
Ausência de plano de voo e suspeita de táxi aéreo clandestino
A investigação concluiu que o piloto violou horário ao autorizar a decolagem faltando cinco minutos para o fechamento do período permitido, acionando até a luz de um trator para orientar a manobra. A ação, segundo laudo policial, somou-se à falta de plano de voo e à baixa luminosidade, resultando na colisão com um cumbaru e na morte das quatro ocupantes.
Piloto violou horário e acendeu luz de trator
Relatos coletados pela equipe do inquérito indicam que a decisão pela partida partiu do piloto, mesmo com orientação para aguardar e com o ambiente já escurecendo rapidamente. Testemunhas afirmaram que, diante da insistência, foi acesa a luz de um trator para facilitar a manobra. A presença da luz e a autorização do comandante contrariaram normas de segurança e caracterizam a violação que agora é tratada como crime correlato no processo.
Como ocorreu a decolagem e a colisão
O monomotor Cessna 175 (prefixo PT-BAN), fabricado em 1958, decolou da Fazenda Barra Mansa, em Aquidauana, por volta das 18h15. A investigação técnica mostra que, na arremetida, a aeronave saiu do eixo da pista em condições irregulares e colidiu com um cumbaru de cerca de 20 metros, árvore seca e difícil de identificar à noite. Não foram encontradas evidências de pane no motor; as perícias descartaram falhas mecânicas, apontando a falta de luminosidade e a violação do horário como causas principais.
Ausência de plano de voo e suspeita de táxi aéreo clandestino
Além de o piloto ter violado horário, peritos verificaram que não havia plano de voo registrado para o deslocamento. A investigação apura se a operação poderia configurar transporte remunerado irregular, prática conhecida na região e que coloca em risco a segurança de passageiros. Documentos e contratações relacionadas ao voo estão sob revisão pelas autoridades.
Vítimas e medidas adotadas
Entre as quatro vítimas estavam o arquiteto Kongjian Yu, renomado professor e diretor de escritório de arquitetura paisagística, os cineastas Rubens Crispim e Luiz Fernando, e o piloto e proprietário Marcelo Pereira. Equipes realizaram exames de DNA e necropapiloscopia para identificação e houve acompanhamento das famílias em rituais fúnebres conforme as tradições.
Implicações e próximas etapas da investigação
Autoridades reforçam que a cultura local de tolerância a voos fora do horário regulamentado não exime responsabilidades. O inquérito, conduzido pelo departamento competente, analisa provas, depoimentos e possíveis responsabilidades penais e administrativas. O Cenipa realizou perícia técnica e o relatório final também deverá considerar normas de aeronavegabilidade e licenciamento do PT-BAN.
A conclusão da investigação deverá indicar eventuais indiciamentos por crimes correlatos e fornecer recomendações para evitar novas tragédias. Enquanto isso, a morte das quatro pessoas acende debate sobre segurança aérea em áreas remotas e sobre a necessidade de respeito às regras mesmo em operações de curta duração.
Essa matéria usou como fonte uma matéria do site Midiamax