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05/02/2026 às 14:30, Atualizado em 05/02/2026 às 17:20

Onde a Esperança Aprende a Caminhar

Por Adriana Paioli

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Divulgação

Há lugares onde o dia começa antes mesmo do sol nascer.

Não por obrigação, mas porque ali vivem sonhos inquietos.

Sonhos de famílias que seguem acreditando,

de alunos que aprendem a se descobrir

e de professores que escolhem, todos os dias, recomeçar.

Nesse lugar, ninguém é apenas o que aparenta ser.

As famílias chegam carregando histórias inteiras no coração.

Algumas marcadas pelo cansaço, outras pela esperança,

todas unidas por um mesmo gesto de amor: confiar.

Confiar seus filhos, seus medos, suas expectativas,

acreditando que educar é muito mais do que ensinar conteúdos —

é ensinar humanidade, respeito e dignidade.

Os alunos atravessam os portões trazendo mundos inteiros dentro de si.

Há os que chegam sorrindo,

há os que chegam em silêncio,

há os que carregam dores que não sabem nomear.

Nenhum deles é igual ao outro.

E todos pedem, mesmo sem palavras: “Olhe para mim. Eu existo.”

E então existem os professores.

Pontes entre o que se é e o que se pode ser.

Guardadores de paciência,

semeadores de esperança,

pessoas que sabem que ensinar é, muitas vezes,

segurar uma mão trêmula e dizer com o olhar:

“Você não está sozinho.”

Ali, o respeito não é imposto — é vivido.

A compreensão não nasce pronta — é construída.

O carinho não é obrigação — é escolha.

E a dignidade não é discurso — é prática diária.

Há dias difíceis.

Dias em que o cansaço pesa.

Dias em que o erro machuca.

Dias em que a esperança parece pequena demais.

Mas é justamente nesses dias que a fé se faz presente.

Não uma fé barulhenta,

mas aquela que restaura por dentro.

A fé que ensina a acreditar no ser humano,

mesmo quando tudo parece falhar.

A fé que lembra que educar é um ato de amor e coragem.

Quando uma família confia,

quando um aluno acredita,

quando um professor persevera,

algo sagrado acontece.

O coração se amplia.

Os olhos aprendem a enxergar além.

E a esperança, antes tímida,

aprende a caminhar.

Talvez o mundo lá fora continue apressado.

Talvez nem todos compreendam o valor do cuidado.

Mas naquele lugar — simples e grandioso —

o amor decidiu ficar.

E quando o amor fica,

a fé se fortalece,

o respeito floresce

e um mundo melhor começa a ser construído,

um gesto de cada vez.

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