Naquela quarta-feira de cinzas, Clara acordou antes do sol.
A casa ainda estava em silêncio, mas o coração dela já conversava com Deus. Não era uma conversa perfeita. Era sincera.
Nos últimos meses, a família vinha atravessando pequenos desencontros. Silêncios mal interpretados. Respostas atravessadas. Cansaços acumulados. Nada grave — mas o suficiente para apertar o peito.
Ela olhou para os quartos ainda fechados e pensou:
“Como é frágil aquilo que deveria ser abrigo.”
Na Missa das Cinzas, quando o sacerdote marcou sua testa com o pó, as palavras ecoaram mais fundo do que nunca:
“Lembra-te que és pó…”
E Clara entendeu.
Somos pó quando deixamos o orgulho falar mais alto.
Somos pó quando escolhemos a distância.
Somos pó quando esquecemos de pedir perdão.
Mas também somos sopro de Deus.
A Quaresma não é apenas tempo de penitência.
É tempo de retorno.
É tempo de voltar para casa — mesmo estando dentro dela.
Naquela tarde, Clara não fez discursos.
Não cobrou mudanças.
Não exigiu nada.
Apenas começou diferente.
Rezou pelo esposo.
Rezou pelos filhos.
Rezou pela nora.
Rezou pelas conversas que ainda aconteceriam.
E, pela primeira vez, entendeu que a fé não é sobre vencer discussões.
É sobre preservar laços.
Porque nada neste mundo tem força suficiente para separar uma família que se coloca de joelhos.
O Espírito Santo não invade portas arrombadas —
Ele unge ambientes que escolhem abrir o coração.
E naquela casa simples, entre pratos lavados e orações silenciosas, algo começou a mudar.
Não foi milagre barulhento.
Foi reconciliação interior.
Clara descobriu que a maior batalha não é contra o outro.
É contra o orgulho.
E que a Quaresma é, acima de tudo, um convite:
Volte.
Perdoe.
Aproxime-se.
Confie.
Porque onde há fé, há restauração.
E onde há oração, nenhuma família está sozinha.
Frase final:
“Nada pode separar uma família que escolhe permanecer unida na presença de Deus.”







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