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05/02/2026 às 14:06, Atualizado em 05/02/2026 às 15:27

Juros seguem em 15% e mantêm crédito travado no mercado de MS

Pequenas e médias empresas enfrentam dificuldade para capital de giro; setor industrial posterga investimentos, avalia economista

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Divulgação

A decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano prolonga um ambiente de crédito restrito no mercado de Mato Grosso do Sul, mesmo com a sinalização de que os juros devem começar a recuar a partir de março. No Estado, o custo financeiro elevado já interfere diretamente no funcionamento das empresas e limita Bazar AACC o consumo.

De acordo com o economista Eugênio Pavão, os efeitos mais imediatos recaem sobre as pequenas e médias empresas, que operam com menor fôlego financeiro. “São negócios que dependem de capital de giro de curto prazo para cumprir prazos com fornecedores. Com juros elevados, o crédito deixa de cumprir esse papel e passa a pressionar o caixa”, afirma.

Na indústria, o impacto se concentra na interrupção de investimentos produtivos. Segundo Pavão, projetos de compra de máquinas e equipamentos vêm sendo adiados diante do encarecimento do financiamento. “A taxa de juros inviabiliza decisões de modernização e retarda processos de inovação, o que compromete a competitividade no médio prazo”, diz.

Mesmo com a expectativa do mercado de redução gradual da Selic ao longo do primeiro e do segundo trimestres, com proje ções em torno de 12% ao ano, Pavão avalia que o cenário ainda não representa um ponto de inflexão. “Esse nível de juros não sinaliza retomada. A economia ainda deve operar em ritmo mais contido”, afirma.

A taxa Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. A Selic é o principal instrumento do BC para alcançar a meta de inflação. Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida.

Tomada de crédito travado

Para o consumidor, o reflexo aparece no crédito ao consumo. Financiamentos e compras parceladas seguem com taxas elevadas, reduzindo a disposição das famílias para assumir compromissos de prazo mais longo. “O crédito permanece caro e seletivo, o que limita o consumo e desacelera a circulação de renda”, observa o economista.

Enquanto a política monetária segue voltada ao controle da inflação, o efeito colateral no mercado sul-mato-grossense é a manutenção de um ambiente de cautela, em que decisões de investimento, expansão e consumo seguem sendo postergadas.

Por Djeneffer Cordoba

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