Publicado em 23/01/2026 às 15:05, Atualizado em 23/01/2026 às 15:29
MS inicia safra de soja 25/26 com grande parte das lavouras em boas condições
Mato Grosso do Sul segue consolidado entre os principais protagonistas do agronegócio nacional. Em 2025, o Estado ocupou a quinta posição no ranking brasileiro de exportações de soja e milho, o que mostra a importância regional da cadeia de grãos, ao mesmo tempo em que dá início à safra 2025/2026 com cenário produtivo considerado positivo na maior parte das regiões.
De acordo com o Boletim de Exportação da Aprosoja/MS, o Estado exportou 5,7 milhões de toneladas de soja, com receita estimada em US$ 2,3 bilhões, e 1,8 milhão de toneladas de milho, que renderam cerca de US$ 369 milhões. Os números colocam Mato Grosso do Sul atrás apenas de Mato Grosso, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul.
A soja sul-mato-grossense teve como principal destino a China, responsável por 85,5% das compras, seguida por Paquistão e Tailândia. Já o milho apresentou maior diversificação de mercados, com destaque para Irã, Japão, Egito e Arábia Saudita, o que amplia a segurança comercial do setor.
Segundo o economista da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, a diversificação dos destinos fortalece a competitividade do produto estadual. “A abertura de novos canais comerciais tende a reduzir riscos e ampliar a presença do grão sul-mato-grossense no mercado internacional, trazendo perspectivas positivas para o agronegócio nos próximos anos”, afirma.
Boas condições no campo
Paralelamente ao bom desempenho externo, a safra de soja 2025/2026 avança em Mato Grosso do Sul com estimativa de produção de 15,2 milhões de toneladas, crescimento de quase 6% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada também segue em expansão e deve alcançar 4,8 milhões de hectares, com produtividade média estimada em 52,8 sacas por hectare, conforme dados do Projeto SIGA-MS.
O levantamento aponta que 75,7% das lavouras do Estado estão em boas condições, 18,1% em situação regular e apenas 6,2% classificadas como ruins. As regiões Norte, Oeste e Centro concentram os melhores índices, com mais de 80% das áreas avaliadas como boas.
Na região Norte, municípios como São Gabriel do Oeste, Sonora e Bandeirantes apresentam lavouras bem estabelecidas, apesar de desafios pontuais relacionados a solos mais arenosos e à incidência de pragas. Já no Oeste, Maracaju, mantém mais de 85% das áreas em boas condições, sustentado por manejo e clima favoráveis nas últimas semanas.
No Centro do Estado, que inclui Campo Grande, Sidrolândia e Rio Brilhante, as lavouras também apresentam desempenho positivo, mesmo com registros de chuvas abaixo do ideal em alguns municípios. Técnicos do SIGA-MS apontam que falhas pontuais de manejo explicam as áreas classificadas como regulares.
As regiões Sul, Sul-Fronteira e Sudeste demandam maior atenção dos produtores. Nessas áreas, o percentual de lavouras em condição regular é mais elevado, reflexo de solos menos argilosos, irregularidade das chuvas e maior pressão de pragas e doenças. Ainda assim, a maioria das áreas segue com potencial produtivo preservado, desde que as condições climáticas se mantenham favoráveis nos próximos meses.
Leve atraso
A colheita da soja teve início na terceira semana de janeiro, com avanço ainda tímido representando apenas 0,01% da área colhida até o momento, cerca de 480 hectares. O ritmo mais lento, segundo a Aprosoja/MS, está ligado ao desenvolvimento mais equilibrado da cultura neste ciclo, diferente da safra passada, quando estresse hídrico e altas temperaturas anteciparam a maturação. Mesmo com o início mais lento da colheita, o cenário geral é considerado positivo.
Por Gustavo Nascimento