Publicado em 16/01/2026 às 10:00, Atualizado em 16/01/2026 às 12:44
Ação da Vigilância Sanitária apreende milhares de medicamentos sem registro enviados por encomendas em Campo Grande
Uma operação conjunta da Vigilância Sanitária Estadual e dos Correios escancarou um novo e preocupante cenário do comércio ilegal de medicamentos em Mato Grosso do Sul: o envio em larga escala de substâncias usadas para emagrecimento por meio do serviço postal. A ação ocorreu entre os dias 9 e 12 de janeiro, em Campo Grande, e resultou na apreensão de milhares de medicamentos sem registro, procedência ou autorização sanitária, muitos deles com alto potencial de risco à saúde.
A fiscalização foi realizada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), por meio da Coordenadoria de Vigilância Sanitária Estadual (CVISA), dentro da estrutura da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Ao todo, 570 encomendas que já haviam sido retidas pelo setor de segurança postal passaram por análise da Gerência de Medicamentos e Produtos para Saúde (GEMPS), após a identificação de conteúdo suspeito em inspeções por raio-X feitas nos dias 7 e 8 de janeiro.
De acordo com a Vigilância Sanitária, a abertura dos pacotes ocorreu somente após autorização legal e sempre na presença das equipes técnicas, seguindo rigorosamente os protocolos previstos na legislação.
Milhares de ampolas e medicamentos controlados
Entre os materiais apreendidos estão 3.168 ampolas de tirzepatida, 78 canetas de retratutida, além de semaglutida, somatropina, esteroides anabolizantes, toxina botulínica, oxandrolona, lisdexanfetamina e suplementos alimentares. Nenhum dos produtos possuía comprovação de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, tampouco documentação que atestasse origem lícita ou autorização para transporte e comercialização.
Parte das substâncias está enquadrada como medicamento de uso controlado, cuja venda exige prescrição médica e acompanhamento profissional, o que agrava ainda mais as irregularidades constatadas.
Nova estratégia do mercado ilegal
Outro aspecto que chamou a atenção dos fiscais foi a mudança na estratégia dos responsáveis pelo comércio clandestino. Em vez de enviar as conhecidas “canetas emagrecedoras” completas, os remetentes passaram a despachar ampolas avulsas destinadas ao reabastecimento desses dispositivos. A prática dificulta a identificação imediata do conteúdo e aumenta significativamente os riscos ao consumidor final.
Segundo a CVISA, os pacotes suspeitos são inicialmente identificados pelos Correios por meio do raio-X, mas a confirmação das irregularidades só acontece com a abertura das encomendas, realizada exclusivamente na presença da Vigilância Sanitária.
Historicamente, o uso dos Correios para fins ilícitos estava mais associado ao envio de drogas proibidas em pequenas quantidades. O volume e o tipo de medicamentos apreendidos nesta operação, porém, indicam a consolidação de um mercado paralelo de remédios de alto valor e grande procura, impulsionado pela popularização de terapias para emagrecimento sem controle médico.