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01/01/2026 às 14:42, Atualizado em 01/01/2026 às 15:43

Aluguéis iniciam 2026 com reajustes mais baixos nos contratos

Pressão menor vem, sobretudo, da queda dos preços no atacado e do alívio nos custos de produção

Os reajustes de contratos de aluguel atrelados ao IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) entram em 2026 mais contidos, após o índice fechar o ano passado em terreno negativo. O indicador calculado pela FGV (Fundação Getulio Vargas) acumulou deflação de 1,05% em 2025 e encerrou dezembro com variação praticamente estável, de -0,01%, interrompendo uma sequência de oscilações ao longo do ano.

O movimento não foi pontual nem concentrado no consumo das famílias. A deflação do IGP-M teve origem, principalmente, na etapa anterior da cadeia produtiva, com recuo dos preços no atacado e menor custo de insumos básicos. A combinação entre desaceleração da atividade econômica global, menor demanda por commodities e melhora das condições de oferta agrícola reduziu a pressão sobre matérias-primas e bens intermediários, que respondem pela maior parte do índice.

O economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), aponta que o comportamento do indicador mostra um ambiente de incerteza prolongada ao longo de 2025, que limitou repasses de custos e segurou reajustes ao produtor. Para ele, o fechamento do índice em deflação cria um cenário de menor pressão inflacionária no curto prazo.

O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), responsável por 60% do cálculo, foi o principal vetor de queda no acumulado do ano, influenciado pelo recuo de matérias-primas brutas e de insumos industriais. Já os componentes ligados ao consumo e à construção apresentaram comportamento mais moderado, sem força suficiente para reverter o resultado final.

Na prática, o desempenho do indicador reduz a base de correção dos contratos que utilizam o IGP-M como indexador. Isso significa que, em 2026, os reajustes aplicados nesses contratos tendem a ser menores — ou, em alguns casos, nulos — desde que haja previsão contratual. O efeito, no entanto, não é automático nem uniforme.

O mercado imobiliário opera hoje com uma diversidade maior de indexadores, e parte significativa dos contratos firmados nos últimos anos passou a adotar o IPCA, inflação oficial do país. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a projeção é que o IPCA tenha encerrado 2025 em 4,32%, dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

Essa diferença de comportamento entre os índices ajuda a explicar por que a deflação do IGP-M não se traduz, necessariamente, em queda nos valores de aluguel anunciados no mercado. Fatores como oferta e demanda de imóveis, renegociações contratuais e preços praticados localmente seguem determinantes na formação dos valores finais.

Ainda assim, o desempenho do IGP-M altera o pano de fundo econômico dos reajustes em 2026. Ao reduzir a pressão de custos na origem, o índice sinaliza um ambiente mais favorável à negociação e impõe limites mais estreitos às correções contratuais ao longo do ano.

Djeneffer Cordoba

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