Publicado em 06/12/2022 às 11:04, Atualizado em 06/12/2022 às 10:27

Justiça suspende compra de 98 blindados pelo Exército por R$ 5 bilhões

A aquisição faz parte de uma estratégia do Exército para renovar a frota

Redação,

O desembargador federal Wilson Alves de Souza, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), suspendeu a compra de 98 blindados italianos pelo Exército brasileiro. A decisão do desembargador de Brasília é liminar (caráter provisório) e foi tomada em uma ação popular que questionou a compra. 

A aquisição faz parte de uma estratégia do Exército para renovar a frota. Segundo o Exército, a frota atual está defasada, "com seus sistemas mecânicos desgastados e parte do material de reposição descontinuado e/ou de difícil obtenção". O Exército tem atualmente dois mil blindados.

O valor da compra, segundo o Exército, será de R$ 3,3 bilhões. A ação, porém, diz que o gasto pode chegar a R$ 5 bilhões.

A compra dos blindados

Ao todo, o Exército pretende comprar 221 unidades do modelo Centauro II.

O contrato de 98 viaturas faz parte de uma primeira etapa da negociação.

A ação afirma que foi feita a convocação para assinatura do contrato "em meio a cortes bilionários no orçamento público que totalizam R$ 5,7 bilhões, dos quais metade têm origem de cortes oriundos da Educação (R$ 1,435 bilhão) e Saúde (R$ 1,396 bilhão)".

A decisão do desembargador

Na decisão, o desembargador afirmou que não existe "cheque em branco conferido à autoridade para agir de forma livre e desarrazoada'. Acrescentou que o poder é limitado e instrumental, "serviente a uma finalidade normativa".

Para o magistrado, não há qualquer necessidade de equipamentos bélicos ao país neste momento.

"Ao que consta a todos, a única guerra que se está a enfrentar nesse momento é a travada contra a Covid-19, que permanece e recrudesce no atual momento – e isso também é fato público e notório, a exigir mais investimentos em lugar de cortes, exatamente na área da saúde", declarou.

"Evidente a falta de razoabilidade, desvio de finalidade, ilegalidade e até mesmo de elementar bom senso, pois outra classificação não há quando ao mesmo tempo em que se faz cortes de verbas da educação e da saúde por falta de dinheiro, se pretende comprar armas em tempos de paz", acrescentou.

Fonte - G 1