Publicado em 05/10/2020 às 10:00, Atualizado em 04/10/2020 às 23:27

Justiça condena sites bolsonaristas por mentirem sobre delegado que investigou facada

Sites bolsonaristas se recusaram a aceitar a conclusão do inquérito porque anulava a narrativa, divulgada pelo presidente e seus apoiadores, de que a esquerda estava por trás do ataque.

Redação,
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Divulgação

A Justiça condenou os sites Terça Livre e Jornal da Cidade On Line por terem ofendido a honra do chefe do Departamento de Combate ao Crime Organizado na PF (Polícia Federal) de Minas Gerais, o delegado Rodrigo Morais, investigador da facada sofrida por Jair Bolsonaro em setembro de 2018, durante a campanha presidencial.

Segundo o portal UOL, o Terça Livre foi condenado a pagar indenização de R$ 5 mil. O site é comandado pelo blogueiro de extrema direita Allan dos Santos, apoiador de Bolsonaro, que está sob investigação da PF no inquérito que apura as fake news contra o STF (Supremo Tribunal Federal).

O Jornal da Cidade On Line foi condenado a pagar ao delegado um valor maior: R$ 15 mil. Fechou acordo, em que se comprometeu a se retratar, o site News Brasil Ltda. Entre os réus ainda não citados, está o deputado Alexandre Frota (PSDB), ex-militante bolsonarista.

O delegado abriu 15 processos contra os sites em busca de reparação por danos morais. “Não tivemos nenhuma derrota. Foram quatro vitórias, dois acordos e, nos demais processos, os réus ainda precisam ser citados para apresentar defesa. Todas as indenizações já foram pagas”, disse o advogado Vinícius Porto.

Rodrigo Morais presidiu o inquérito que investigou a facada contra Bolsonaro em Juiz de Fora (MG). Em seu relatório final, o delegado concluiu que o agressor, Adélio Bispo de Oliveira, agiu por conta própria, sem mandantes. Ele próprio disse que não recebeu ordem de ninguém para matar o presidente. Segundo laudos psiquiátricos, o autor do atentado tem transtornos mentais.

Sites bolsonaristas se recusaram a aceitar a conclusão do inquérito porque anulava a narrativa, divulgada pelo presidente e seus apoiadores, de que a esquerda estava por trás do ataque.

As páginas lançaram uma teoria conspiratória de que Morais fora cedido pela PF ao Ministério da Justiça durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT), e ao governo de Minas Gerais na gestão de Fernando Pimentel, para trabalhar no esquema de segurança da Copa do Mundo, realizada em 2014 no Brasil, e nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007.

“Meu cliente sequer conhece a Dilma e o Pimentel. Estava ali para fazer um serviço técnico”, afirmou o defensor do delegado. “O valor é o que menos importante. O importante é que a Justiça reconheceu que meu cliente foi caluniado”, complementou.

De acordo com laudo da perícia da Polícia Federal, o delegado foi ofendido agressivamente em sua honra por cerca de 50 sites e militantes. No entanto, Morais decidiu somente processar as pessoas que atacaram sua honra e vida pessoal.

“Ele diz que aceita críticas ao seu trabalho, que faz parte do processo democrático. Só não aceita ataques à sua vida pessoal, que deixaram seu familiares numa situação constrangedora”, disse o advogado do delegado.