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24/11/2017 às 15:30, Atualizado em 24/11/2017 às 16:03

Estelionatários usam falsa reportagem para amenizar prisões da Ouro de Ofir

Áudios com ofensas à instituição serão alvo de Inquérito Policial.

A Polícia Federal (PF) no Estado do Mato Grosso do Sul instaurou inquérito policial para investigar a autoria de uma foto atribuindo à instituição uma falsa confissão de que teria errado ao desencadear a Operação Ouro De Ofir e prender seu principal alvo Celso Eder De Araujo.

A foto falsificada de um popular sítio de notícias do MS na internet, com elevada visibilidade, estampando a inverídica declaração da PF, circulou em redes sociais que reúnem “investidores”, alvos de estelionatários, das fraudulentas operações financeiras combatidas na operação. A direção da empresa que edita o sítio verdadeiro enviou declaração oficial ao Superintendente da PF no MS, Ricardo Cubas Cesar, negando a autoria da matéria jornalística.

Com o título “Polícia Federal admite erros em Operação Ouro de Ofir, Celso Eder Araújo mostra valores que serão pagos a partir de hoje a investidores”, a falsa foto não mostra texto de qualquer reportagem, apenas o título, sugerindo que o conhecido sítio de notícias teria veiculado a informação. A imagem permitiu que os estelionatários mantivessem seus golpes pela Internet e amealhassem outras vítimas, com propostas de elevadíssimo retorno financeiro resultante de investimentos irrisórios e histórias fantasiosas.

O comunicado oficial do Gerente de Jornalismo da empresa que edita o sítio esclarece “que a publicação atribuída ao sítio, onde a manchete informa que a Polícia Federal admite erros na operação Ouro de Ofir e que Celso Eder Araújo mostra valores que serão pagos a partir de hoje a investidores, trata-se na verdade de Fake News. Nenhuma reportagem com esse conteúdo foi realizada pelos nossos profissionais.”

Esta informação enviada à PF será anexada ao inquérito como prova, assim como a foto da falsa reportagem, e áudios de diversos grupos de vítimas (investidores) em algumas redes sociais, onde os fraudadores disseminam a informação de que a PF estaria servindo a interesses outros que não à impessoal persecução penal, cometendo, em tese, crimes contra a União no bojo dos crimes de estelionato e contra o sistema financeiro investigados na Operação Ouro De Ofir.

Tais áudios têm como objetivo gerar confusão às vítimas para que não denunciem e busquem a responsabilização dos autores dos crimes e, em alguns casos, aportem mais recursos para enriquecimento dos criminosos, como restou provado pelas buscas e apreensões realizadas esta semana pela PF e Receita Federal. As pessoas que criaram os áudios e as que estão repassando-os para terceiros, com o objetivo de prejudicar as investigações, poderão ser responsabilizados criminalmente.

A OPERAÇÃO OURO DE OFIR

Permanecem presos três líderes da organização, que foram objeto de prisões temporárias (cinco dias, renováveis por mais cinco): Celso Eder Gonzaga De Araujo, Sidinei Dos Anjos Peró E Anderson Flores De Araújo. o alvo Ricardo Machado neves continua em local desconhecido e incerto, sendo considerado foragido da Justiça. Sandro Aurélio Fonseca Machado ainda não prestou depoimento, tendo sido alvo de mandado de condução coercitiva na terça-feira passada, quando PF/MS e Receita Federal deflagraram A Operação Ouro De Ofir nas cidades de Campo Grande/MS, Terenos/MS, Goiânia/GO e Brasília/DF.

A investigação visa desarticular Organização Criminosa que atua na forma de uma verdadeira Instituição Financeira clandestina perpetrando golpes para manter e induzir pessoas a investir quantias em dinheiro, com o escopo de obter lucros financeiros exorbitantes.

Alegam a existência de uma suposta mina de ouro, que foi explorada há muito tempo e cujos valores oriundos das comissões para a revenda estariam sendo repatriados e cedidos, vendidos ou até mesmo doados a terceiros, mediante pagamentos. Existe, inclusive, a esdrúxula figura de contrato de doação mediante pagamento. Outra modalidade de engodo é a promessa de liberação de uma antiga Letra do Tesouro Nacional – LTN.

Estima-se que milhares de indivíduos tenham sido induzidos a investir em um projeto cujos contratos não possuem lastro ou objeto jurídico plausível (os nomes eram Operação SAP e AU Metal). Os investidores são induzidos a depositar quantias para ter uma lucratividade de mais de 1.000% (algo desproporcional e insustentável financeiramente). Também eram falsificados documentos de instituições públicas federais na tentativa de oferecer credibilidade ao que era repassado às vítimas.

O nome da Operação Ouro De Ofir é baseado em uma cidade mitológica da qual seria proveniente um ouro de maior qualidade e beleza. Tal cidade nunca foi localizada e nem o metal precioso dela oriundo.

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